Câncer de testículo: sintomas, diagnóstico e tratamento
Dr Rodrigo Arrivabeno - Urologista | CRM 187980 | RQE 110184
É assim que muitos casos de câncer de testículo começam. Um caroço pequeno, percebido no banho ou ao se vestir, sem dor e sem nenhum outro sintoma. Muita gente espera algumas semanas, porque não dói e porque dá vergonha falar do assunto.
Um ponto favorável é que o câncer de testículo está entre os tumores com maior chance de cura, inclusive quando já se espalhou. O que pesa contra é o tempo perdido. Por isso, um caroço no testículo é motivo de consulta e ultrassom em poucos dias, sem esperar para ver se some.
Nem todo caroço é câncer, e uma parte das alterações na bolsa é benigna. Este texto explica como se faz a diferença, como o tratamento começa e o que muda depois, inclusive para a fertilidade.
Neste texto você vai encontrar:
- Por que um nódulo no testículo merece ultrassom logo
- Quem tem mais risco
- Sintomas do câncer de testículo
- Como o diagnóstico é feito
- Nem todo caroço no testículo é câncer
- Tratamento do câncer de testículo, a cirurgia vem primeiro
- Fertilidade e testosterona antes do tratamento
- O que acontece depois da cirurgia
- Câncer de testículo tem cura?
- Acompanhamento depois do tratamento
- Avaliação de câncer de testículo em Atibaia e região
- Perguntas frequentes sobre câncer de testículo

Por que um nódulo no testículo merece ultrassom logo
O câncer de testículo é pouco frequente. Representa cerca de 5% dos tumores urológicos e atinge principalmente homens jovens, em geral entre os 18 e os 40 anos. Nos países ocidentais, surgem de 3 a 10 casos novos por 100 mil homens ao ano, e a frequência vem aumentando nas últimas décadas.
Justamente por ser raro, o diagnóstico depende de alguém levar o sintoma a sério. Quando o caroço é investigado cedo, o tumor costuma estar restrito ao testículo, e o tratamento tende a ser mais simples.
Quem tem mais risco
As diretrizes europeias descrevem alguns fatores associados ao câncer de testículo.
- Criptorquidia. É o testículo que não desceu para a bolsa na infância, mesmo nos casos em que foi operado.
- Tumor no outro testículo. Quem já teve a doença de um lado tem mais risco do outro.
- Parente de primeiro grau com a doença. Pai ou irmão com câncer de testículo aumentam a atenção.
- Infertilidade. Alterações da produção de espermatozoides fazem parte do mesmo grupo de alterações do desenvolvimento do testículo.
Ter um fator de risco não significa que a doença vai aparecer, e muitos casos surgem em homens sem nenhum deles. Não há medida de prevenção estabelecida, e o que existe é o diagnóstico precoce.
Sintomas do câncer de testículo
O sinal mais comum é um caroço ou uma área endurecida em um dos testículos, em geral sem dor. O tumor também pode ser um achado de ultrassom pedido por outro motivo, como a investigação de infertilidade.
- Caroço ou área endurecida no testículo
- Aumento de volume ou mudança de formato de um dos lados
- Sensação de peso na bolsa, descrita por algumas pessoas
- Dor ou desconforto, que aparece em parte dos casos e não afasta a doença
- Aumento das mamas, em poucos pacientes
- Dor lombar ou abdominal, nos casos em que a doença já se espalhou
Dor forte e de início súbito no testículo é outra situação. Pode ser torção testicular, uma emergência que precisa de atendimento imediato, sem esperar o dia seguinte.
Como o diagnóstico é feito
A consulta começa pela história e pelo exame dos testículos, da bolsa, do abdome e das cadeias de linfonodos. O caroço é localizado e comparado com o outro lado.
O exame principal é o ultrassom da bolsa testicular com Doppler, feito nos dois lados. Ele mostra se a lesão está dentro do testículo e se é sólida, é rápido e não causa dor. A ressonância não é o exame inicial.
Antes da cirurgia, o sangue é colhido para três marcadores tumorais, AFP, beta-hCG e DHL. Eles ajudam a caracterizar o tumor e entram no estadiamento. Podem estar normais mesmo com câncer e podem se alterar por outros motivos, por isso não são usados sozinhos. Os marcadores também são repetidos depois da cirurgia, no intervalo adequado à meia-vida de cada um, e a evolução dos valores ajuda a definir o estadiamento e a necessidade de tratamento complementar. Mesmo quando se normalizam, não excluem sozinhos a possibilidade de doença fora do testículo.
Em casos selecionados, quando o ultrassom mostra uma lesão indeterminada e os marcadores estão normais, o urologista pode indicar nova imagem. Isso não se aplica a uma massa sólida suspeita, que precisa de investigação rápida. O tamanho sozinho não diz se uma lesão pode apenas ser acompanhada, e a conduta depende do exame, da imagem e dos marcadores.
Com o diagnóstico confirmado, a tomografia de tórax, abdome e pelve com contraste mostra se a doença se espalhou.
Dor com febre pode ser epididimite, uma infecção tratada com antibiótico. Se o caroço persiste depois do tratamento, ou se o ultrassom mostra uma massa sólida, a investigação continua.
Nem todo caroço no testículo é câncer
Muitas alterações da bolsa são benignas, e o local do caroço ajuda a diferenciá-las.
- Espermatocele ou cisto de epidídimo. Bolinha macia que fica ao lado do testículo, e não dentro dele.
- Hidrocele. Líquido em volta do testículo. A hidrocele nova no adulto merece ultrassom, porque o líquido dificulta a palpação e alguns tumores se apresentam com ela.
- Varicocele. Dilatação das veias do testículo, com aspecto descrito como saco de vermes. O texto sobre varicocele explica o quadro.
- Epididimite e orquite. Inflamação com dor, inchaço e, às vezes, febre.
- Torção. Dor súbita e intensa, que é uma emergência.
Uma massa sólida dentro do testículo é tratada com mais cautela que uma alteração fora dele, que costuma ser benigna. É o ultrassom que mostra essa diferença, e por isso o exame vale mesmo quando o caroço parece inofensivo.
Tratamento do câncer de testículo, a cirurgia vem primeiro
Quando o ultrassom mostra uma massa suspeita no testículo, na maioria dos casos o tratamento inicial é a retirada do testículo, a orquiectomia. A cirurgia trata a doença e permite confirmar o diagnóstico pelo exame da peça.
A orquiectomia é feita por uma incisão na virilha, e não pela bolsa, com ligadura e secção do cordão espermático ao nível do anel inguinal interno. As diretrizes evitam a via escrotal porque ela está associada a maior chance de recidiva local. Pela mesma razão, retirar ou biopsiar o caroço pela bolsa deve ser evitado.
Prótese testicular. Deve ser oferecida como opção a quem faz a orquiectomia. Pode ser implantada durante a cirurgia ou depois, e a conversa acontece antes da operação, para o paciente decidir com calma.
Fertilidade e testosterona antes do tratamento
Esse é o ponto que mais preocupa quem é jovem, e ele precisa ser conversado antes da cirurgia. As diretrizes europeias recomendam discutir o banco de sêmen, o congelamento de espermatozoides, com todos os homens antes de iniciar o tratamento.
A qualidade do sêmen pode já estar alterada no momento do diagnóstico. A quimioterapia e, em situações específicas, a radioterapia podem reduzir ainda mais a fertilidade e, em alguns casos, afetar a produção de testosterona. Com um testículo saudável restante, muitos homens mantêm fertilidade e testosterona adequadas, mas o resultado varia, e a avaliação hormonal entra no acompanhamento.
O texto sobre testosterona baixa explica os sintomas e como o diagnóstico é feito.
O que acontece depois da cirurgia
Com o exame da peça, os marcadores e a tomografia, o tumor é classificado. Os dois grandes grupos são o seminoma e o não seminoma, e cada um segue um caminho.
Doença sem sinal de que se espalhou. É o estádio I. A cirurgia sozinha cura uma parte dos pacientes, e a decisão é entre vigilância com exames regulares ou um tratamento complementar. Se os marcadores não normalizam depois da cirurgia, mesmo sem metástases visíveis, a avaliação é refeita, porque pode haver doença microscópica. No seminoma, as diretrizes europeias preferem a vigilância quando o paciente consegue cumprir o seguimento, e uma dose de carboplatina é uma alternativa. No não seminoma de baixo risco, a vigilância é uma opção. Quando o exame da peça identifica invasão linfovascular, o risco de recidiva é maior, e a equipe discute as vantagens e desvantagens da vigilância e de uma sessão de quimioterapia.
Doença com metástases. O tratamento é a quimioterapia à base de cisplatina, geralmente no esquema BEP, com número de ciclos que depende do grupo de risco. Em casos selecionados, entra também a cirurgia dos linfonodos do retroperitônio. Essa fase é conduzida junto com a oncologia clínica.
Câncer de testículo tem cura?
Na grande maioria dos casos, sim. As diretrizes europeias descrevem que a maior parte dos pacientes é curada, com sobrevida relativa em cinco anos em torno de 95% na Europa Ocidental.
No seminoma em estádio I, a sobrevida se aproxima de 100% qualquer que seja a conduta, e cerca de 80% dos pacientes são curados apenas com a retirada do testículo. No não seminoma em estádio I, aproximadamente 70% são curados apenas com a cirurgia, e os demais precisam de tratamento complementar. Esses dados vêm de estudos europeus e variam com o estádio no diagnóstico, então a conversa individual diz mais que a estatística.
O fator que mais pesa é descobrir cedo, e é por isso que um caroço no testículo não deve ficar esperando.
Acompanhamento depois do tratamento
O acompanhamento é parte do tratamento. Nos primeiros cinco anos, que concentram o risco de recidiva, são feitas consultas com marcadores tumorais e exames de imagem, em intervalos definidos pelo tipo de tumor e pelo estádio.
Depois dos cinco anos, o foco passa a ser os efeitos tardios do tratamento, como o risco cardiovascular e a testosterona baixa. A recidiva muito tardia é rara, em torno de 0,5% dos pacientes, e a maioria dos casos é percebida por sintomas.
O outro testículo continua sendo examinado, e o autoexame continua valendo.
Avaliação de câncer de testículo em Atibaia e região
Para quem encontrou um caroço, a consulta inclui o exame físico e o pedido do ultrassom da bolsa com Doppler. A orientação é não esperar semanas. Se o ultrassom já foi feito, levar o laudo e as imagens ajuda.
Para quem já tem o diagnóstico, o ponto de partida é reunir ultrassom, marcadores e tomografia, conversar sobre banco de sêmen e prótese antes da cirurgia e organizar o seguimento junto com a oncologia clínica quando o caso pede.
Atendo pacientes particulares em Atibaia/SP e região, e também por telemedicina, o que permite revisar os exames de quem mora longe.
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Perguntas frequentes sobre câncer de testículo
Todo caroço no testículo é câncer?
Não. Cistos do epidídimo, hidrocele, varicocele e infecções são mais frequentes. Só a avaliação e o ultrassom mostram do que se trata, e por isso um caroço novo não deve ser deixado de lado.
Câncer de testículo dói?
Em geral, não. O mais comum é um caroço sem dor. Em parte dos casos há desconforto ou sensação de peso, e dor forte e súbita costuma apontar para outras causas, como torção ou infecção.
Preciso retirar o testículo inteiro?
Na maioria dos casos de massa suspeita, sim, porque a orquiectomia trata e confirma o diagnóstico. Em situações muito selecionadas, é possível retirar só o tumor. A prótese testicular pode ser discutida antes da cirurgia.
Perder um testículo afeta a ereção, a fertilidade ou a testosterona?
Com um testículo saudável restante, muitos homens mantêm ereção, libido e testosterona adequadas. A fertilidade pode ficar reduzida, principalmente se houver quimioterapia ou radioterapia, e por isso o banco de sêmen é discutido antes do tratamento.
Câncer de testículo tem cura?
Na grande maioria dos casos, sim, inclusive em parte dos pacientes com metástases. O diagnóstico precoce é o fator que mais ajuda.
Todo paciente precisa de quimioterapia?
Não. Quando a doença está restrita ao testículo, a vigilância com exames regulares é uma opção em muitos casos. A quimioterapia é indicada conforme o tipo de tumor, o estádio e o risco de recidiva.
Pancada ou esporte causam câncer de testículo?
Não há evidência de que uma pancada cause o tumor. Muitas vezes o trauma apenas chama a atenção para um caroço que já existia.
Em que idade devo me preocupar?
A doença é mais frequente entre os 18 e os 40 anos, mas pode aparecer em outras idades. Qualquer caroço novo merece avaliação, independentemente da idade.
Com que frequência devo fazer o autoexame?
Não existe uma frequência universal respaldada por evidências fortes. O importante é conhecer o aspecto habitual dos testículos e perceber mudanças, e o autoexame merece atenção especial em quem teve criptorquidia ou tem história pessoal ou familiar da doença. Qualquer caroço novo ou área endurecida deve ser avaliada por um urologista.
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