Hidrocele no adulto: causas e quando a cirurgia é indicada

Dr Rodrigo Arrivabeno - Urologista | CRM 187980 | RQE 110184


O motivo da consulta quase nunca é dor. É o incômodo de perceber que um lado da bolsa cresceu, que a cueca começou a apertar num ponto que nunca apertava, e que o volume não voltou ao normal como o paciente imaginava que fosse voltar.

Muita gente convive com isso por meses antes de marcar a consulta. Alguns acham que vai melhorar sozinho, outros deixam passar justamente porque não dói. E boa parte adia porque a região continua sendo um assunto que ninguém gosta de levantar, nem com o médico.

Vale começar pelo ponto que mais tranquiliza. Hidrocele é o acúmulo de líquido em volta do testículo, e na grande maioria dos casos se trata de uma condição benigna, sem relação com câncer.

O que define a conduta não é o tamanho em si. É o quanto aquilo incomoda no dia a dia e o que o ultrassom mostra por baixo do líquido.

Neste texto você vai encontrar:

Hidrocele avaliada por urologista em Atibaia


O que é hidrocele?

O testículo não fica solto dentro da bolsa testicular. Ele é envolvido por uma membrana de duas camadas, a túnica vaginal, e entre essas camadas existe normalmente uma pequena quantidade de líquido, que serve para o testículo deslizar sem atrito.

Esse líquido é produzido e reabsorvido continuamente. Quando a produção é maior que a reabsorção, o excedente fica acumulado e forma a hidrocele.

Na prática, o paciente enxerga um aumento de volume de um lado, ou dos dois, com consistência de bolsa d’água. Quando o volume é grande, o testículo deixa de ser palpável, porque fica submerso no líquido. É um detalhe que parece técnico e não é, e explico o motivo mais adiante.


Por que o líquido se acumula?

No homem adulto, boa parte das hidroceles não tem uma causa identificável, que chamamos de hidrocele idiopática. O desequilíbrio entre produção e reabsorção se instala, o volume aumenta devagar ao longo de meses ou anos, e não existe um evento que explique o começo. Isso é mais frequente depois dos 40 anos.

Em outros casos, a hidrocele aparece como consequência de algo. Inflamações do epidídimo e do testículo, como epididimite e orquite, deixam líquido residual com frequência. Traumas na região também, mesmo os leves, daqueles que o paciente nem lembra de imediato.

Cirurgias prévias na bolsa ou na virilha entram nessa lista, e a correção de varicocele é a mais conhecida delas. Faz parte da orientação pré-operatória avisar sobre essa possibilidade.

Existem ainda situações em que o corpo retém líquido de forma generalizada, como em algumas doenças do coração, do fígado e dos rins. Nesses quadros a hidrocele tende a ser dos dois lados e vem acompanhada de edema em outras partes do corpo, e o tratamento passa pela doença de base.


Hidrocele em bebê é uma situação diferente

No recém-nascido o mecanismo não é o mesmo. Durante a formação do bebê existe uma comunicação entre o abdome e a bolsa, o conduto peritônio-vaginal, que deve se fechar. Quando esse fechamento não acontece por completo, líquido da cavidade abdominal desce e forma a hidrocele comunicante.

A pista clássica é a variação de tamanho. A bolsa aparece maior no fim do dia ou depois do choro e do esforço, e menor depois de o bebê passar a noite deitado.

A conduta habitual no primeiro ano é observar, porque a tendência é de fechamento espontâneo. A recomendação das diretrizes europeias de urologia pediátrica é justamente acompanhar antes de considerar cirurgia na maioria dos lactentes, com duas exceções importantes: suspeita de hérnia inguinal associada e suspeita de alteração no próprio testículo. Nesses dois cenários a avaliação é antecipada.

Vale reforçar que o que se aplica à criança não se aplica ao adulto. Hidrocele que aparece na vida adulta não tem a mesma tendência de reabsorver sozinha.


Sintomas e o que mais incomoda no dia a dia

A queixa que escuto com mais frequência não é dor, é peso. Uma sensação de arrastar que aumenta ao longo do dia, piora em pé e melhora quando o paciente deita.

Depois vem o atrito. Roupa apertada, calça jeans, ciclismo, corrida e academia ficam desconfortáveis. Algumas pessoas passam a escolher a roupa em função do volume, e isso raramente é mencionado de forma espontânea na consulta.

Quando o volume é grande, entram questões mais concretas. Dificuldade na relação sexual, incômodo para sentar por longos períodos, e em casos avançados até dificuldade de higiene e de urinar em pé, porque a bolsa cresce mais do que o pênis. É o tipo de situação que o paciente demora a relatar e que muda bastante a indicação.

O que não é típico de hidrocele é dor intensa. Dor forte, súbita ou acompanhada de febre aponta para outro diagnóstico, como escrevo mais adiante.


Hidrocele, hérnia, espermatocele ou varicocele

Quatro coisas diferentes que o paciente costuma chamar pelo mesmo nome, “aumento na bolsa”.

A hidrocele é líquido em volta do testículo. O aumento é liso, uniforme, com consistência de bolsa d’água, e não muda de tamanho quando o adulto faz força.

A hérnia inguinal é conteúdo da barriga que desce pelo canal inguinal. Aumenta com esforço e tosse, costuma reduzir quando o paciente deita e empurra, e o abaulamento vem de cima, da virilha, em continuidade com ela. Hérnia é uma condição que exige correção, e por isso essa distinção pesa.

A espermatocele é um cisto de conteúdo líquido no epidídimo, aquela estrutura que fica acima e atrás do testículo. A diferença no exame físico costuma ser fácil de perceber. Dá para sentir o testículo separado do cisto, o que não acontece na hidrocele de volume razoável. A maioria das espermatoceles é pequena, não dá sintoma e não precisa de cirurgia.

A varicocele é a dilatação das veias do cordão. A textura descrita nos livros é de “saco de vermes”, fica mais evidente em pé e com esforço, esvazia com o paciente deitado, e a discussão principal ali é fertilidade, não volume.


Hidrocele pode esconder um tumor de testículo?

Essa é a pergunta que costuma estar por trás da consulta, mesmo quando não é feita em voz alta.

A hidrocele em si é uma coleção de líquido benigna. Ela não é câncer e não se transforma em câncer com o tempo.

O cuidado é outro, e tem dois lados. O primeiro é que o líquido em volta do testículo impede a palpação adequada do órgão, então um nódulo pode passar despercebido. O segundo é que um tumor de testículo pode se apresentar com hidrocele reacional, ou seja, o líquido aparece como resposta ao que está acontecendo dentro do testículo.

É por esse motivo que toda hidrocele nova no adulto merece ultrassom, e não apenas exame físico. Não se trata de esperar câncer em cada caso. Trata-se de não deixar passar o que precisa ser visto, especialmente em homens jovens, faixa em que o tumor de testículo é mais relevante.


Como o diagnóstico é feito?

A consulta começa pela história. Tempo de evolução, se houve trauma, infecção ou cirurgia prévia, se o volume varia, se dói, e o quanto limita a rotina.

No exame físico, o achado que sugere líquido é a transiluminação. Uma fonte de luz encostada na bolsa atravessa a coleção e ela acende, o que não ocorre com massas sólidas. É um teste simples, feito no consultório, e ainda útil.

O exame que fecha a avaliação é o ultrassom da bolsa testicular com Doppler. Ele confirma o líquido, mostra os dois testículos e o epidídimo, mede o volume, avalia o fluxo sanguíneo e diferencia hidrocele de espermatocele, de varicocele e de lesões sólidas.

Exames de sangue entram quando há suspeita de quadro infeccioso ou inflamatório associado. Tomografia e ressonância não fazem parte da investigação de rotina da hidrocele.


Quando dá para acompanhar sem operar?

Hidrocele pequena, que não incomoda, com ultrassom mostrando testículos normais, costuma ser acompanhada. Não existe indicação de operar apenas porque a hidrocele existe.

Nessa situação, a orientação é prática. Roupa com suporte adequado ajuda no conforto, a observação do volume ao longo do tempo é simples, e o paciente volta se o quadro mudar.

O que não funciona é tentar reduzir o líquido com medicação. Não há remédio, pomada, anti-inflamatório ou diurético que faça a hidrocele reabsorver. Quando o volume incomoda, a correção é cirúrgica.

A indicação de operar se apoia em três coisas. Incômodo que já interfere na rotina, aumento progressivo do volume, e dúvida sobre o testículo que só se resolve com a coleção drenada.


Como é a cirurgia de hidrocele?

A cirurgia se chama hidrocelectomia. O acesso habitual é por uma incisão na própria bolsa, de poucos centímetros.

Drenar o líquido é a parte rápida. O que evita a volta do problema é o tratamento da túnica vaginal, a membrana que estava produzindo o excesso. Ela pode ser evertida e suturada por trás do testículo, na técnica descrita por Jaboulay, ou plicada, na técnica de Lord, entre outras variações. A escolha depende da espessura da parede e do volume encontrado, e essa decisão costuma se confirmar no intraoperatório.

A anestesia é raquidiana ou geral, conforme a avaliação pré-anestésica. O procedimento costuma levar menos de uma hora e a alta em geral acontece no mesmo dia.

Quando há suspeita de alteração dentro do testículo, o planejamento muda e o acesso pode ser pela virilha, para permitir o manejo adequado caso a suspeita se confirme. É mais um motivo para o ultrassom vir antes da cirurgia, não depois.


Recuperação e o que esperar depois da cirurgia

A parte que mais assusta no pós-operatório é normal e vale ser dita antes. A bolsa fica inchada e arroxeada por algumas semanas, e o volume pode parecer, nos primeiros dias, parecido com o que havia antes. Esse edema regride devagar.

Gelo nos primeiros dias, suporte escrotal, analgesia e evitar ficar muito tempo em pé são as medidas que mais ajudam nessa fase.

Atividades leves e trabalho de escritório costumam ser retomados em poucos dias. Esforço físico, academia e atividade sexual ficam suspensos por cerca de três a quatro semanas, com liberação no retorno, depois do exame.

As complicações possíveis existem e são discutidas antes. Hematoma na bolsa, infecção da ferida, edema prolongado, dor persistente na região e recidiva do líquido. É uma cirurgia de pequeno porto, mas mesmo assim as orientações de repouso e de suporte escrotal nos primeiros dias fazem diferença no resultado.

Febre, vermelhidão que aumenta, secreção pela ferida, dor crescente ou crescimento rápido da bolsa pedem contato imediato, sem esperar o retorno agendado.


Punção e escleroterapia, quando entram na conversa?

Esvaziar a hidrocele com agulha resolve o volume na hora, e é isso que torna a ideia atraente. O problema é que a membrana que produz o líquido continua ali, então a coleção tende a se formar de novo, e a punção repetida traz risco de sangramento e de infecção.

A escleroterapia é a punção seguida da injeção de uma substância que provoca aderência entre as camadas da túnica. É uma alternativa considerada em pacientes com risco cirúrgico elevado ou que não desejam operar, com chance de recidiva maior que a da cirurgia e possibilidade de precisar de mais de uma sessão.

Em crianças, agentes esclerosantes não são utilizados, pelo risco de peritonite química quando a comunicação com o abdome está aberta.


Hidrocele atrapalha a fertilidade ou o sexo?

Hidrocele simples não é apontada como causa direta de infertilidade. Quem procura o consultório por dificuldade para engravidar precisa de uma investigação própria, que passa por história, exame físico, espermograma e avaliação do casal. Atribuir o quadro à hidrocele e parar aí é o caminho para perder a causa real.

Na vida sexual o efeito é mais mecânico do que hormonal. Hidrocele não altera testosterona nem causa disfunção erétil por si. O que aparece na prática é o desconforto durante a relação e o constrangimento com a aparência da bolsa, e esses dois motivos são suficientes para indicar a correção quando o paciente quer resolver.


Sinais que pedem avaliação sem esperar

A maior parte das hidroceles é de evolução lenta e pode ser avaliada em consulta agendada. Alguns cenários, não.

Nesses casos a orientação é buscar pronto atendimento, e não aguardar a consulta ambulatorial.


Avaliação de hidrocele em Atibaia e região

A avaliação de hidrocele é bem objetiva. Consulta com exame físico, ultrassom da bolsa testicular com Doppler, e a partir daí a decisão entre acompanhar e corrigir, definida pelo incômodo real e pelo que o exame mostra.

Atendo pacientes particulares em Atibaia/SP e região, e também por telemedicina.

CRM 187980 | RQE 110184

Clique aqui para agendar sua consulta pelo WhatsApp


Perguntas frequentes sobre hidrocele

Hidrocele desaparece sozinha no adulto?

Na vida adulta a regressão espontânea é incomum. Quando o líquido apareceu depois de uma inflamação ou de um trauma, parte do volume pode reduzir junto com a resolução do quadro, mas a hidrocele estabelecida tende a permanecer ou a aumentar lentamente. Em bebês a história é diferente e a observação é a conduta habitual no primeiro ano.

Hidrocele dói?

O sintoma típico é peso e desconforto, que aumentam ao longo do dia e com o volume. Dor forte não combina com hidrocele simples e pede avaliação, porque aponta para outras causas, como infecção ou torção.

Hidrocele pode virar câncer?

Não. A hidrocele é uma coleção de líquido benigna e não se transforma em tumor. O cuidado é que o líquido impede a palpação do testículo e que alguns tumores se apresentam com hidrocele associada, e é por isso que o ultrassom faz parte da avaliação.

Dá para tirar o líquido com agulha no consultório?

Tecnicamente sim, e o alívio é imediato. O ponto é que a membrana responsável pela produção do líquido permanece, então a coleção tende a voltar, com risco adicional de sangramento e infecção a cada punção. A punção isolada é reservada para situações específicas.

Quanto tempo dura a recuperação da cirurgia?

Atividades leves em poucos dias, esforço físico e atividade sexual por volta de três a quatro semanas, com liberação no retorno. O inchaço e o aspecto arroxeado da bolsa levam algumas semanas para regredir, e isso é esperado.

Hidrocele pode voltar depois da cirurgia?

Pode, e essa possibilidade faz parte do consentimento antes do procedimento. A recidiva é menos frequente com as técnicas que tratam a túnica vaginal do que com a simples drenagem do líquido.

Hidrocele atrapalha para ter filhos?

Hidrocele simples não é considerada causa direta de infertilidade. Quem tem dificuldade para engravidar precisa de investigação própria, com espermograma e avaliação do casal, em vez de atribuir o quadro ao líquido na bolsa.

Preciso operar se não está incomodando?

Não necessariamente. Hidrocele pequena, assintomática e com ultrassom normal costuma ser apenas acompanhada. A indicação cirúrgica aparece quando o volume incomoda, quando está aumentando ou quando existe dúvida sobre o testículo.

Hidrocele e hérnia são a mesma coisa?

Não. Hidrocele é líquido acumulado em volta do testículo. Hérnia inguinal é conteúdo da barriga que desce pelo canal inguinal, aumenta com esforço e costuma reduzir com o paciente deitado. As duas podem coexistir, e o exame físico com o ultrassom esclarece.

Academia, bicicleta ou levantar peso causam hidrocele?

Não há relação estabelecida entre atividade física e formação de hidrocele. O que acontece é que o esforço e o atrito tornam o desconforto mais perceptível em quem já tem a coleção, e é nesse momento que muitos pacientes procuram avaliação.


LEIA TAMBÉM

Cisto renal: o que significa esse achado no exame

Cisto renal raramente é câncer. Entenda a classificação de Bosniak,…

Prostatite: tipos, sintomas e tratamento

Prostatite não é só infecção. Entenda os tipos, sintomas, tratamento…

Jato urinário fraco: causas além da próstata e quando investigar

Jato urinário fraco nem sempre é próstata. Conheça as causas,…

Encontre seu urologista em Atibaia


Carraro Tower Atibaia, Sala 117, Rua Luiz Alberto Vieira dos Santos, 18 - Vila Santista, Atibaia - SP, 12941-030


(11) 99509-3590


AGENDE SUA CONSULTA