Retenção urinária | O que fazer quando não consegue urinar?

Dr Rodrigo Arrivabeno - Urologista | CRM 187980 | RQE 110184


São quase dez da noite quando o paciente liga ou chega direto ao pronto socorro. A bexiga está cheia, a dor cresce a cada minuto, e por mais que ele tente, nada sai. Às vezes é a primeira vez que isso acontece. Às vezes é a segunda ou terceira, após o uso de determinados medicamentos ou depois de uma cirurgia recente em outro lugar do corpo.

Na consulta de retorno, depois que a sonda já resolveu o momento agudo, a pergunta que mais aparece é “por que isso aconteceu logo comigo”. A resposta quase nunca é simples. A retenção urinária raramente tem uma causa isolada, ela costuma ser o resultado de um problema que já vinha se formando, somado a um gatilho específico daquele dia.

Este texto explica o que causa a retenção urinária, a diferença entre o quadro agudo e o crônico, quando procurar o pronto socorro e o que esperar do tratamento, tanto na hora quanto depois.

Neste texto você vai encontrar:

Retenção urinária, urologista em Atibaia


O que causa a retenção urinária

A retenção urinária é a incapacidade de esvaziar adequadamente a bexiga, e pode ter diferentes causas. As mais frequentes na prática são estas.

Próstata aumentada (HPB). É uma das causas mais frequentes em homens a partir da meia idade. O crescimento da próstata estreita aos poucos o canal da urina, até que um gatilho, como determinados medicamentos, consumo excessivo de álcool ou uma cirurgia recente, precipita o episódio. O quadro completo está no artigo sobre hiperplasia prostática benigna.

Estenose de uretra. Uma cicatriz interna estreita o canal da urina, geralmente depois de sondagem anterior, cirurgia, trauma ou infecção antiga. O jato costuma vir piorando devagar antes de travar de vez. Mais detalhes no artigo sobre estenose de uretra.

Prostatite aguda. A inflamação da próstata causa inchaço local e pode obstruir a saída da urina de forma temporária, frequentemente associada a febre e dor.

Cálculo impactado na uretra. Uma pedra que se solta da bexiga pode migrar e travar exatamente no ponto de saída.

Pós operatório. Anestesia, opioides e a própria dor de uma cirurgia recente, mesmo fora da área urológica, podem impedir a bexiga de relaxar por algumas horas.

Medicações. Descongestionantes, anti-histamínicos e alguns remédios usados para bexiga hiperativa reduzem a contração da bexiga ou aumentam a resistência na saída.

Bexiga neurogênica. Quando a comunicação entre o nervo e a bexiga está comprometida, por diabetes de longa data, lesão na coluna ou doença neurológica, o esvaziamento pode falhar mesmo sem obstrução mecânica.

Fecaloma. O acúmulo de fezes no reto pode contribuir para a dificuldade de esvaziamento da bexiga por compressão na região pélvica, mais comum em pacientes acamados ou com constipação importante.


Retenção aguda e retenção crônica, qual a diferença

A retenção aguda é o quadro que leva ao pronto socorro. Ela é súbita, dolorosa, e a pessoa não consegue urinar, mesmo fazendo força. É um quadro que exige atendimento imediato.

A retenção crônica é diferente e mais traiçoeira. A bexiga vai perdendo a capacidade de esvaziar por completo aos poucos, ao longo de meses ou anos, muitas vezes sem dor relevante. O volume que sobra depois de cada micção vai aumentando devagar, e a pessoa se acostuma com um jato fraco e idas frequentes ao banheiro sem associar isso a um problema em andamento.

Em alguns casos a bexiga fica tão cheia que a urina começa a escapar em pequena quantidade, quase como um gotejamento constante. É fácil confundir esse escape com incontinência, quando na verdade é a bexiga transbordando. Por isso, jato fraco associado a escape de urina merece avaliação, e não deve ser tratado por conta própria como se fosse só perda de urina.


Sinais de que é preciso procurar o pronto socorro

Alguns sinais indicam que o quadro precisa de atendimento imediato, sem esperar uma consulta agendada.

Nesses cenários, o alívio da bexiga não pode esperar até o dia seguinte. O prolongamento da retenção pode aumentar a distensão da bexiga e, em casos mais importantes, comprometer o trato urinário superior e a função dos rins.


Como é feito o diagnóstico

No momento agudo, o diagnóstico é essencialmente clínico, confirmado pela presença de urina retida na bexiga. Quando disponível, o ultrassom à beira do leito ou a medida do volume vesical ajuda a confirmar e quantificar essa retenção.

O toque retal pode fazer parte da avaliação, mas não deve atrasar o alívio da bexiga. Após o alívio da retenção, e conforme a situação clínica, é feita a investigação da causa, com avaliação urológica, exame de urina e exames de sangue conforme o caso. O PSA pode ser solicitado posteriormente, quando fizer sentido para a avaliação prostática.


O alívio imediato, a sondagem vesical

A primeira conduta é esvaziar a bexiga, quase sempre com uma sonda vesical passada pela uretra. Quando isso não é possível, por uma estenose ou trauma que impede a passagem, ou quando a sondagem uretral é contraindicada, o caminho pode ser um cateter suprapúbico, colocado diretamente na bexiga através da pele.

É comum o paciente perguntar, ainda com a sonda no lugar, se vai ficar assim para sempre. Na maioria das vezes não. A sonda é uma medida temporária enquanto se trata a causa de base, e o tempo de uso varia de acordo com o que está por trás da retenção.

Depois que a sonda é posicionada, a bexiga geralmente pode ser esvaziada de forma contínua. Pode ocorrer uma pequena quantidade de sangue na urina ou, em alguns pacientes, o que se chama de diurese pós-obstrutiva, um aumento importante do volume urinário depois que a obstrução é aliviada. Quando essa diurese é significativa, pode ser necessário monitorar a urina e os eletrólitos do paciente. Ambas as situações são acompanhadas conforme o volume retido e as condições clínicas.

Vale reforçar que a sonda resolve a consequência imediata, mas não necessariamente a causa da retenção.


O tratamento depois da fase aguda

Resolvida a urgência, o tratamento passa a depender da causa identificada.

Quando a origem é a próstata aumentada, costuma-se iniciar um alfa-bloqueador, e o momento certo para tentar a retirada da sonda é definido caso a caso, para verificar se o paciente consegue voltar a urinar. Em parte dos casos essa tentativa funciona. Quando não funciona, ou quando os episódios se repetem, a cirurgia da próstata, como o HoLEP ou a RTU, entra na conversa como opção de tratamento definitivo da obstrução prostática. Mesmo quando a retirada da sonda funciona, o risco de uma nova retenção permanece maior do que em quem nunca passou por isso, por isso a causa da obstrução precisa ser investigada e acompanhada.

Quando a causa é a estenose de uretra, o tratamento pode envolver dilatação, uretrotomia ou uretroplastia, dependendo da extensão e da localização da cicatriz. Na prostatite aguda, o tratamento antibiótico adequado e o acompanhamento clínico são fundamentais. Nos casos de bexiga neurogênica, o cateterismo intermitente limpo pode ser a estratégia de longo prazo, ensinada ao próprio paciente ou ao cuidador.


Depois da retenção, o que investigar

Resolvida a urgência, o passo seguinte é entender por que aquilo aconteceu. Isso passa por revisar sintomas urinários que já vinham antes do episódio, examinar a próstata, considerar a possibilidade de estenose, revisar os medicamentos em uso, avaliar a função renal e medir o resíduo pós-miccional depois que o paciente volta a urinar sozinho. Outros exames entram conforme a suspeita de cada caso.


Avaliação de retenção urinária em Atibaia e região

Atendo pacientes particulares em Atibaia/SP e região, e também por telemedicina, para investigar a causa da retenção urinária depois do episódio agudo e definir o tratamento mais adequado para cada situação.

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Perguntas frequentes sobre retenção urinária

Retenção urinária dói?

O quadro agudo costuma doer bastante, com uma sensação de bexiga estufada na parte baixa do abdômen. Já a retenção crônica pode evoluir com pouca dor, o que atrasa o diagnóstico.

Quanto tempo preciso ficar com a sonda vesical?

Varia de acordo com a causa. Em alguns casos ela sai em poucos dias, em outros permanece até o tratamento definitivo ser feito. Isso é avaliado caso a caso na reavaliação.

Retenção urinária pode causar problema no rim?

Uma retenção urinária importante e prolongada pode comprometer o trato urinário superior e, em alguns casos, afetar a função dos rins.

Retenção urinária é sempre causada pela próstata?

Não. A próstata aumentada é a causa mais frequente em homens mais velhos, mas estenose de uretra, cálculo, medicações e alterações neurológicas também podem levar ao mesmo quadro.

Depois da sonda, vou conseguir urinar normalmente?

Em muitos casos sim, principalmente quando a causa é tratável e o episódio foi pontual. Quando a obstrução é mais avançada, pode ser necessário um tratamento definitivo para manter o esvaziamento normal.

Retenção urinária pode acontecer em mulher?

Pode, embora seja bem menos frequente do que em homens. As causas nesse caso costumam envolver prolapso, cirurgia pélvica prévia ou alteração neurológica.

Remédio para gripe pode causar retenção urinária?

Descongestionantes e alguns anti-histamínicos usados para gripe e alergia podem ser o gatilho em quem já tem a próstata aumentada ou outra causa de base silenciosa.

Retenção urinária crônica dói tanto quanto a aguda?

Geralmente não. A forma crônica evolui devagar e pode se manifestar como jato fraco, idas frequentes ao banheiro ou escape de urina, sem a dor intensa do quadro agudo.

Preciso operar depois de um episódio de retenção?

Não necessariamente. A conduta depende da causa e de como o paciente responde ao tratamento inicial. A cirurgia entra como opção quando o tratamento clínico não resolve ou quando os episódios se repetem.

Retenção urinária é emergência mesmo sem dor intensa?

A incapacidade total de urinar já justifica atendimento imediato, mesmo quando a dor ainda é suportável, porque a bexiga continua enchendo enquanto a pessoa espera.


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