Ureteroscopia: como é a cirurgia a laser para pedra no rim e no ureter
Dr Rodrigo Arrivabeno - Urologista | CRM 187980 | RQE 110184
Depois de uma crise de cólica renal, a pergunta que mais escuto é se vai ser preciso operar, e se a cirurgia é muito grande. Quando a pedra precisa ser retirada, a resposta com frequência é a ureteroscopia, uma cirurgia feita sem corte, por dentro das vias urinárias, em que a pedra é quebrada com laser.
Este texto explica como a ureteroscopia é feita, em que casos ela é indicada, o que esperar da recuperação e do cateter duplo J, e quando outra técnica faz mais sentido. Para entender por que a pedra se forma e quando ela sai sozinha, o artigo sobre pedra nos rins é o ponto de partida.
A seguir, o caminho do preparo à recuperação, na ordem em que as dúvidas costumam aparecer.
Neste texto você vai encontrar:
- O que é a ureteroscopia
- Quando a ureteroscopia é indicada
- Quando outra técnica faz mais sentido
- Como é o preparo
- Como é a cirurgia, passo a passo
- O cateter duplo J depois da cirurgia
- Recuperação, o que é esperado e o que não é
- Riscos da ureteroscopia
- Quando a pedra não pode esperar
- Depois da cirurgia, como evitar nova pedra
- Avaliação para ureteroscopia em Atibaia e região
- Perguntas frequentes sobre ureteroscopia

O que é a ureteroscopia
A ureteroscopia é uma cirurgia feita com um aparelho muito fino, o ureteroscópio, que entra pela uretra, passa pela bexiga e sobe pelo ureter até chegar na pedra. Não há corte na pele, e a imagem é vista em um monitor, com uma câmera na ponta do aparelho.
Com a pedra à vista, uma fibra de laser a fragmenta. Os pedaços maiores são retirados com uma pequena cestinha, e os menores saem depois, na urina. As diretrizes europeias recomendam o laser de hólmio ou o laser de fibra de túlio, com a pedra fragmentada e retirada sob visão direta.
Ureteroscópio rígido ou semirrígido. É o mais usado para pedras no ureter.
Ureteroscópio flexível. Dobra dentro do rim e alcança pedras que estão no seu interior, inclusive nos cálices mais profundos. Quando o procedimento é no rim, costuma ser chamado de cirurgia intrarrenal retrógrada.
Quando a ureteroscopia é indicada
Nem toda pedra precisa de cirurgia. Pedras pequenas, sem infecção e sem dor persistente, muitas vezes saem sozinhas, e o texto sobre pedra nos rins explica quando esperar. A cirurgia entra quando existe um motivo para não esperar.
- Dor que persiste apesar do tratamento adequado
- Pedra com pouca chance de sair sozinha, por ser grande ou estar parada
- Obstrução que persiste, com risco para a função do rim
- Infecção associada, depois que a infecção é controlada
A rotina profissional, uma viagem programada e outras circunstâncias pessoais também podem entrar na decisão, desde que sejam consideradas junto com os riscos e os benefícios de cada opção. Em quem usa anticoagulantes ou antiagregantes, a necessidade de tratar a pedra e a escolha da técnica são avaliadas individualmente, junto com o médico responsável pela medicação. Quando a pedra precisa ser retirada e o remédio não pode ser suspenso, a ureteroscopia costuma ser a técnica preferida, porque provoca menos sangramento.
Quando é necessário retirar uma pedra do ureter, a ureteroscopia costuma ser uma opção especialmente eficaz, sobretudo quando se busca resolver o problema em um único procedimento. Para pedras dentro do rim, a ureteroscopia flexível também é uma opção, inclusive nas que ficam na parte de baixo do rim.
Quando outra técnica faz mais sentido
A ureteroscopia não é a melhor técnica para todas as pedras. Em pedras grandes dentro do rim, acima de 2 cm, a cirurgia percutânea, feita por uma pequena punção nas costas, costuma ser a primeira escolha. A ureteroscopia flexível entra nesse grupo quando a técnica percutânea não é possível.
A escolha depende do tamanho, do local e da composição provável da pedra, da anatomia do rim, das outras doenças e da preferência de cada pessoa. Em pedras grandes ou muito duras, a ureteroscopia às vezes exige um segundo procedimento, e isso é conversado antes da cirurgia.
Como é o preparo
Antes da cirurgia, a urina é examinada, em geral com urocultura. As diretrizes europeias recomendam excluir ou tratar infecção urinária antes de remover a pedra, e oferecer antibiótico preventivo no procedimento. A infecção urinária deve ser tratada antes da retirada definitiva da pedra. Quando há obstrução infectada, a prioridade é desobstruir o rim e iniciar antibióticos, e o tratamento definitivo da pedra é feito depois que a infecção estiver controlada.
A tomografia sem contraste mostra o tamanho, a localização e a densidade da pedra, além de ajudar a avaliar a anatomia das vias urinárias. Também são avaliados os exames de sangue e a função dos rins.
Quem usa anticoagulante ou antiplaquetário, como AAS ou clopidogrel, deve avisar. A decisão de suspender ou manter o remédio é combinada com o médico que o prescreveu. O jejum e a anestesia são orientados pela equipe, e quem faz a cirurgia não deve dirigir no mesmo dia.
Como é a cirurgia, passo a passo
A ureteroscopia é feita sob anestesia, definida junto com o anestesista, e dura de meia hora a pouco mais de uma hora, conforme o tamanho e a posição da pedra. Em muitos casos a alta é no mesmo dia ou no dia seguinte.
- O ureteroscópio sobe pela uretra e pela bexiga até o ureter
- A pedra é localizada e fragmentada com o laser
- Os pedaços são retirados e o ureter e o rim são revistos, para procurar fragmentos que ficaram
- Se necessário, um cateter duplo J é deixado por um período
Em alguns casos, é usada uma bainha de acesso ureteral, que facilita as passagens repetidas do aparelho e a saída do líquido durante a cirurgia. Sua utilização depende das características do caso, porque a introdução também pode causar lesão do ureter.
O cateter duplo J depois da cirurgia
O cateter duplo J é um tubo fino e flexível, com a forma de um J nas duas pontas, que fica entre o rim e a bexiga e serve para a urina passar enquanto o ureter se recupera.
As diretrizes europeias dizem que ele não deve ser colocado de rotina em casos sem complicação. Ele é indicado quando há maior risco, como inchaço ou lesão do ureter, fragmentos deixados para trás, infecção, rim único ou pedra muito impactada. A decisão é do cirurgião, durante a cirurgia.
O cateter pode causar vontade frequente de urinar, ardência, desconforto lombar ao urinar e um pouco de sangue na urina, e esses sintomas costumam melhorar com remédio. Há evidência de que os alfabloqueadores reduzem esse desconforto. O cateter não pode ser esquecido, e a retirada é marcada antes da alta.
Recuperação, o que é esperado e o que não é
Nos primeiros dias, é esperado sentir ardência ao urinar, vontade de urinar com frequência, um desconforto nas costas e sangue leve na urina, que costuma diminuir nos primeiros dias. A ingestão de líquidos segue as orientações da equipe. Pequenos fragmentos podem sair na urina nesse período.
A volta ao trabalho depende da profissão e de ter ou não o cateter. Muitos pacientes retomam as atividades em poucos dias, e esforço físico intenso fica para quando o urologista liberar.
Sinais de alerta, quando procurar avaliação médica.
- Febre ou calafrios, que pedem avaliação médica imediata, sem esperar resposta por mensagem
- Dor forte que não melhora com a medicação prescrita
- Incapacidade de urinar
- Sangue vivo com coágulos, ou sangramento que aumenta em vez de diminuir
Um exame de imagem depois da cirurgia confirma se ficou algum fragmento, e o momento é definido pelo urologista.
Riscos da ureteroscopia
A ureteroscopia é uma cirurgia segura quando bem indicada, e os riscos precisam ser conhecidos. Os mais importantes são a infecção urinária, o sangramento, os sintomas do cateter e a necessidade de repetir o procedimento, quando a pedra é grande ou quando restam fragmentos.
A lesão do ureter é incomum, e o arrancamento do ureter é uma complicação rara e grave. O estreitamento do ureter após a cirurgia ocorre em aproximadamente 3% a 5% dos casos nas séries publicadas, com maior risco quando a pedra está muito impactada ou houve lesão do ureter.
Por isso, a indicação, a técnica e o seguimento importam. A conversa antes da cirurgia deve incluir o que fazer se a pedra for mais difícil que o previsto, como deixar o cateter e completar o procedimento em outro momento.
Quando a pedra não pode esperar
Pedra associada a febre, calafrios ou outros sinais de infecção urinária em um rim obstruído é uma emergência urológica. A ausência de produção de urina também exige avaliação urgente. Quando há obstrução infectada, o tratamento imediato é desobstruir o rim com um cateter duplo J ou uma drenagem pelas costas e iniciar antibiótico. A retirada da pedra é feita depois, com a infecção controlada.
Febre com dor lombar em quem tem pedra é motivo de pronto atendimento, sem esperar o dia seguinte.
Depois da cirurgia, como evitar nova pedra
Quem teve uma pedra tem chance maior de ter outra, e por isso vale investigar a causa. O artigo sobre pedra nos rins explica a hidratação, a alimentação e os exames de prevenção, que são uma parte tão importante do cuidado quanto a cirurgia.
Avaliação para ureteroscopia em Atibaia e região
Para quem já tem o laudo ou a tomografia, a consulta revisa as imagens, o tamanho e a posição da pedra e define se a ureteroscopia é a melhor técnica ou se outra via faz mais sentido. Levar o CD ou o link do exame faz diferença.
Para quem está com um cateter duplo J, a consulta organiza a retirada e o plano para a pedra. Quem já operou e continua com sintomas também é avaliado.
Atendo pacientes particulares em Atibaia/SP e região, e também por telemedicina, o que permite revisar os exames de quem mora longe antes de qualquer viagem.
CRM 187980 | RQE 110184
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Perguntas frequentes sobre ureteroscopia
A ureteroscopia dói?
A cirurgia é feita sob anestesia. Depois, é esperado algum desconforto ao urinar e nas costas, que melhora com medicação, principalmente quando há cateter duplo J.
A ureteroscopia tem corte?
Não. O aparelho entra pela uretra e sobe pelas vias urinárias, sem incisão na pele.
Todo paciente fica com o cateter duplo J?
Não. Em casos sem complicação, ele pode ser dispensado. É indicado quando há inchaço ou lesão do ureter, fragmentos deixados para trás, infecção ou rim único.
Quanto tempo fico afastado do trabalho?
Depende da profissão e de ter cateter. Muitos pacientes voltam em poucos dias, e o esforço físico intenso fica para depois da liberação.
Serve para pedra grande?
Em pedras dentro do rim acima de 2 cm, a cirurgia percutânea costuma ser a primeira escolha, e a ureteroscopia flexível é usada quando essa técnica não é possível.
A ureteroscopia resolve em uma cirurgia só?
Em muitos casos, sim, principalmente em pedras pequenas e médias. Pedras grandes ou muito duras às vezes exigem um segundo procedimento, e isso é conversado antes.
Pode ficar algum pedaço da pedra?
Pode, principalmente em pedras grandes. Por isso um exame de imagem depois da cirurgia confirma o resultado.
Ver sangue na urina depois da cirurgia é normal?
Um sangramento leve nos primeiros dias é esperado e costuma diminuir. Sangue vivo, com coágulos, ou que aumenta pede contato com o urologista.
Posso dirigir depois da cirurgia?
Não no mesmo dia, por causa da anestesia. A liberação depois é orientada pela equipe, de acordo com a recuperação e o uso de medicamentos.
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